Resenha: “O Chamado do Cuco”.

TÍTULO: O Chamado do Cuco.

AUTOR: Robert Galbraith. (Pseudônimo de J.K. Rowling).

PUBLICAÇÃO ORIGINAL: 2013.

PÁGINAS: 448.

EDITORA: Rocco.

AVALIAÇÃO: 5-estrelas

"O Chamado do Cuco".

“O Chamado do Cuco”.

A estreia de Robert Galbraith como escritor não poderia ter sido melhor. Em “O Chamado do Cuco”, romance policial ambientado em Londres, o autor nos mostra os meandros de um suposto assassinato enquanto um detetive particular se infiltra cada vez mais nos bastidores sujos da fama.

“Quando uma modelo problemática cai para a morte de uma varanda coberta de neve, presume-se que ela tenha cometido suicídio. No entanto, seu irmão tem suas dúvidas e decide chamar ao detetive particular Cormoran Strike para investigar o caso.

Strike é um veterano de guerra, ferido física e psicologicamente, e sua vida está em desordem. O caso lhe garante uma sobrevida financeira, mas tem um custo pessoal: quanto mais ele mergulha no mundo complexo da jovem modelo, mais sombrias ficam as coisas e mais perto do perigo ele chega.

Um emocionante mistério mergulhado na atmosfera de Londres, das abafadas ruas de Mayfair e bares clandestinos do East End para a agitação do Soho. O chamado do Cuco é um livro maravilhoso. Apresentando Cormoran Strike, este é um romance policial clássico na tradição de P.D. James e Ruth Rendell, e marca o início de uma série única de mistérios.”

Eu comprei esse livro sexta-feira passada, dia 1º de novembro, e praticamente o devorei no fim de semana. Tão bem escrito quanto eu esperava de Robert Galbraith, a história me conquistou logo nas primeiras páginas. O clima inglês de detetives particulares e mistérios policiais transformou “O Chamado do Cuco” num livro digno de Ágatha Christie e P.D. James, e a introdução bem feita de um suposto suicídio com ares de assassinato de uma modelo famosa, Lula Landry, serviu para que o autor revelasse o lado cruel e ditatorial da fama. A frase de abertura do livro, do filósofo Lúcio Acio, “Infeliz é aquele cuja fama enobrece suas desgraças”, é um resumo sucinto do que encontraremos em “O Chamado do Cuco”.

Galbraith parece ter se esforçando para que seu detetive particular, algo quase extinto na literatura mundial onde os romances policiais parecem ser exclusivamente protagonizados por agentes do governo, conseguisse um lugar próprio no hall de detetives consagrados por autores como Ágatha Christie ou Conan Doyle, autor de “Sherlock Holmes”. E fico feliz em dizer que Cormoran Strike, o detetive de Galbraith, conseguiu seu tom único que o diferencia dos outros. Irônico, sagaz e ao mesmo tempo destruído por um casamento que não deu certo e todas as dúvidas exclusivas à um homem de quase 40 anos que não possuí filhos, família ou emprego rentável, Strike caminha para se tornar um personagem tão icônico quanto Sherlock Holmes ou Poirot.

Cada personagem desse livro é extremamente bem escrito, a secretária temporária de Strike, Robin, proporciona a leveza que o núcleo policial precisa. Esperta, Robin tem um sonho secreto de ser detetive desde que era criança, e finalmente pode realizá-lo quando vai trabalhar para Cormoran. Mesmo não sendo a protagonista, nós nos identificamos com ela, que está com um noivado marcado e começa a ter dúvidas se é realmente isso que espera da vida.

Fora isso, o mistério envolvendo a morte de Lula Landry, uma famosa e rebelde modelo, é tão bem desenvolvido que até mesmo o mais expert em romances policiais não irá descobrir o que realmente aconteceu com ela antes das últimas 50 páginas no livro. Robert Galbraith teceu dicas desde o primeiro capítulo, e conforme a tensão vai aumentando e Strike se aproxima da verdade, o leitor é presenteado com revelações chocantes.

A diagramação de “O Chamado do Cuco” está espetacular, e a editora Rocco fez um trabalho muito bem feito com a tradução e com a capa dura, que infelizmente ainda é tão pouco usada pelas editoras brasileiras. Além de uma bela história, nós também temos uma obra prima de edição, e eu realmente espero que isso se torne uma tendência nas demais editoras porque o preço baixo não deveria ser critério para um livro mal feito ou mal diagramado.

Se você procura uma leitura agradável permeada por um mistério que irá queimar-lhe alguns neurônios, “O Chamado do Cuco” é uma ótima dica.

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